É sobre vampiros sim, mas com...hum, um pouco de terror á mais. Espero que gostem!
Be Quiet
Capítulo 1
- Já é noite! – Gabriela gritou. Ela estava com seu vestido novo, vermelho e decotado.
- E? – Falei, eu não estava nem um pouco animada e ansiosa como ela estava. Sua boca abriu e não saiu mais nada dali. Deitei em minha cama e pus a mão em meus olhos.
Minha irmã continuava de boca aberta. Sua maquiagem era pesada e a deixava parecendo mais velha. Era esse o objetivo, afinal, ela só tinha 16 anos. E meio, como ela gostava de dizer. Apesar de eu ser a mais velha, nunca me senti responsável por ela, era como se eu fosse apenas uma amiga, daquelas que dão conselhos e sabem a hora de parar com as gracinhas. Nós duas moramos sozinhas, nossos pais morreram cedo e agora eu cuido dela, apesar de não ‘’cuidar’’ exatamente como ela diz. Como eu disse, nunca achei que cuido dela, nós duas pagamos o apartamento, metade minha e metade dela. Gabriela trabalha depois da escola e eu tenho um emprego de garçonete em um bar, não fiz faculdade e nem pretendo, pois não tenho tempo e problemas demais pra resolver. – Qual o seu problema? Não é culpa minha se não estou com vontade de ir pra uma festa idiota em um cemitério! Quem é maluco o suficiente pra fazer uma festa em um cemitério? – Gritei, jogando o travesseiro escrito ‘’Emma’’ no chão.
- Qual é! É tipo assim a maior festa do MUNDO! Como assim você não quer ir? – Ela gritou, dando ênfase no ‘’mundo’’ e batendo os braços no vestido longo. – Emma, você precisa sair! Você só trabalha naquele bar ridículo e finge que está tudo bem!
Abri os olhos e fui ao banheiro. Precisava de tempo. Como eu iria explicar á ela que eu era uma vampira? Ninguém sabia. Nem mesmo os meus pais, antes de morrerem. Na verdade, foi culpa minha eles terem morrido, eu sou uma vampira procurada por vampiros do mal. Nunca pensei que vampiros podiam matar vampiros. Mas eles podem, bom somente alguns. Alguns da minha espécie. Por isso sou procurada. Eu não pedi por algo assim, aconteceu. No dia seguinte em que tentaram me matar pela primeira vez, eu fui procurar algum tipo de informação de como isso aconteceu...então descobri: ‘’Uma vampira forte e determinada como se nunca viu, com um poder único. A lenda diz que ela nascerá em uma noite de tempestades, em uma meia lua. Ainda é uma lenda.’’ Essa vampira era eu. Mas só descobri que era uma vampira dois anos atrás, quando tinha 16 anos. Agora tenho 18 e sei como me defender. Sim, eu posso sair para o sol, mas apenas se passar um creme que comprei pela internet, num site não-confiável. Não derreto se não passar, mas a minha pele arde muito. Várias pessoas (ou devo dizer vampiros?) tentaram me matar, eu sempre os matava antes. Eu me acho um monstro. Matar vampiros....vários. Mas quando penso que estão ali para me matar, meus olhos se enchem de raiva e começam a agir. De repente era tarde demais para reverter a situação. Tento viver uma vida normal, mas essa festa em que minha irmã estava querendo ir...em um cemitério....não me parecia boa ideia. Na verdade, fui eu quem recebi o convite e ela acabou descobrindo, me obrigando a ir pra essa maldita festa! O problema é que em cemitérios, existem mais vampiros do que na rua. Mais mortos. Mais gente pra tentar me matar. Saí do banheiro e entrei no closet, procurando alguma coisa que parecesse ‘’ dos mortos’’. Já vestida, procurei Gabriela no apartamento pra dizer que eu ia á festa. Ela me forçou a colocar alguma maquiagem e alguns acessórios. Eu estava me sentindo ridícula.
Chegamos ao cemitério onde a festa foi marcada, havia dois guardas e muitas luzes dentro.
- Seus nomes, por favor. – Um dos guardas nos perguntou, segurando uma lista de convidados.
Com certeza Gabriela não estava na lista, ela havia se convidado, não o dono da festa. Então olhei a lista por um momento e vi um nome feminino que ainda não tinha chegado.
- Emma Weeshley e Denise Cook. – Falei para o guarda. Ele abriu os portões e minha irmã arregalou os olhos pra mim. A uma certa distância dos guardas, falei: - Que foi? Esqueceu que você não foi convidada e além do mais é menor de idade?
- É, você tem razão. Esse seu amigo deve ser meio louco pra fazer uma festa em um cemitério. Quero ver se ele te convida pra outra festa maluca... – Gabriela disse, segurando a risada porque estávamos em frente á uma cova toda enfeitada, com pessoas em volta. Inclusive o dono da festa. E do cemitério.
- Oi Emma! E...nossa quem é essa com você? Ela é linda... – Daniel falou, parecendo bêbado demais para lembrar o caminho até sua casa. Ele era o dono do bar onde eu trabalhava.
- Oi Daniel. Essa é Gabriela, minha irmãzinha, nem tente chegar perto dela. – Falei, tirando sua mão sem a latinha de cerveja ou o que era aquilo em sua mão do ombro dela. Gabriela estava olhando pra ele assustada.
- Ok, ok...não chego mais perto dela. Prometo – e fez um gesto de paz, olhou para o vestido dela e declarou, rindo: - Belo vestido.
Revirei os olhos e levei Gabriela até um lugar seguro e fui tentar falar com alguém. Só conhecia no máximo duas pessoas, o Daniel e a Melissa, sua amante. Estavam todos parececendo antigos, aquelas roupas eram tão ridículas...pena que eu não trouxera meu jeans preto, meu all star desbotado (semana passada eu mesma joguei água oxigenada nele, mal me importava se as pessoas notariam ou não), minha camiseta normal e minha jaqueta preta jeans.
Fiquei preocupada se naquela festa ‘’privada’’ em um cemitério teria alguém querendo me matar. É claro que sim, cemitério, noite, música alta, bebida....ninguém ia ouvir nada. Ah, e a pessoa poderia já me enterrar. Que ótimo.
Então decidi ir embora. Algumas pessoas bêbadas (metade dos convidados) estavam dançando animadamente e loucamente na pista de dança iluminada. Imaginei como seria aquela festa na madrugada. Tentei localizar Gabriela, mas ela não estava no lugar onde deixei-a mais. Foi então que eu vi, um vampiro bêbado (sim, vampiros podem ficar bêbados) dançando com a minha irmã.
Beijinhos
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