quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

4º capitulo de Livro de Renesmee

-Vou pensar... Talvez eu apareça, se não surgir algo mais importante pra fazer!-o tapa que recebi por essa graçinha doeu, embora eu não tenha demonstrado.

E lá se foi minha vampirinha, pulando de galho em galho. Ai, que droga! Esqueci de uma coisa importante para finalizar esse momento! Como sou idiota! Aposto que Nessie havia se lembrado, mas esperou que eu o fizesse! Mania que as mulheres têm de esperar pelos homens! Por que ela simplesmente não me beijou? À noite eu corrigiria esse erro.

Sai dali olhando sempre pra trás, me arrependendo de tamanha burrice. Não ter beijado ela... Era o que eu mais queria! Nessie realmente não me deixava pensar direito, ruivinha mais invocada! Quando cheguei na casa de Sue encontrei os outros lá, Leah parecia nada contente quando eu entrei. Eu saí e voltei e as coisas não mudaram muito.

O bando havia diminuído um pouco, com a desistência de Paul, que agora era meu, urgh! cunhado, e a saída esperada de Sam. Foi difícil no começo, pra ele, e principalmente pra mim, mas quando meu pai se foi eu não pensei muito nas coisas, só ficou a dor. Fugi como um idiota, forçando Sam a cuidar do bando por mais um tempo.

Mas agora eu não tinha escolha, era minha obrigação tomar conta da tribo e do bando. Eu ainda estava iniciando no grupo grande, pois mesmo com a desistência de dois, ainda sobraram os mais novos, que eu só recrutava para rondas ao redor da praia ou algo assim. O bando mais velho sempre ficava preto da fronteira com os Cullen ou fazendo rondas perto ou (transformado em humano) na cidade.

Leah também não ficaria muito tempo conosco. Por incrível que pareça ela também teve uma impressão. Era estranho, já que ela se lamentava tanto dizendo que não tinha impressão por que era estéril e tudo mais. Porém só foi ela ver Kall, o instinto veio a chamá-la. Sue diz que talvez ela não seja estéril, que quando ela desistir seu corpo volta ao normal. Mas, pra que ela desista outra loba tem que entrar em seu lugar, o que é muito raro.

Ignorando a expressão dura de Leah, fiz um rápido sinal, mas que todos compreenderam, e quando eu me virei para sair todo o bando já estava dentro da floresta me esperando. Me transformei, e comecei a ouvir os pensamentos insinuosos dos outros, Lea parecia irônica quando me perguntou se eu tinha pedido a vampirinha em namoro.

Alto e claro, uivei, e todos agora sabiam que eu e Renesmee estávamos juntos, mas mesmo assim nem todos aprovavam. Seth foi o primeiro a me interrogar se eu sabia em que estava me metendo, e é claro que eu sabia. Realmente, eu havia pensão em tudo, riscos, desvantagens, complicações, obstáculos... Mas o ponto que Quil me lembrou quando nós estávamos correndo por dentro da floresta, me fez refletir mais um pouco.

“Você não acha irônico que tenha se apaixonado pelo ser que deveríamos destruir?”-esses foram seus pensamentos, e isso me abalou seriamente. Eu me recordei de palavras que eu disse a Bella, quando ela descobriu o meu segredo: “Nós só existimos por que eles existem!” 

As coisas estavam se complicando, porém eu não queria pensar nisso agora, não com um bando de lobos bisbilhotando meus pensamentos. Cruzamos uma clareira bem iluminada onde o vento fazia-se ouvir com mais facilidade e com ele um som estranho, parecia um grunhido.

-CAIN! Cain... -a voz se afastou, ficou distante. Todos nós corremos em direção ao som, agora podíamos sentir o cheiro de uma lobisomem fêmea, ela estava machucada, havia levado tiros, e o pior, parecia que estava mordida por um vampiro. Isso me fez correr mais rápido.

“Ela foi mordida?” Seth quis saber preocupado.

“Parece...” Quil puxou o ar e falou com êxito.

“É esse o tipo de coisa que vai acontecer com todos nós se Jacob continuar com essa loucura!” Jared parecia mais raivoso do que de costume.

“Pare com isso, Jared! Corra mais e fale menos!” Leah ordenou aumentando o ritmo.

Todos nós paramos perto de uma moita de samambaia sentindo agora, o forte cheiro de sangue, que estava espalhado pelo chão. Atrás da moita a jovem loba parecia quase morta, sua pulsação era fraca, eu podia ouvir sua respiração falhar. Embry tirou as plantas do caminho e observamos com horror uma linda loba, mais linda se estivesse sã, deitada no chão, coberta com sangue e terra, seus pelos eram brancos, não tão brancos, mas um tom prateado que podia brilhar ao sol.

“Ela foi mordida!” Leah gritou com horror, chegando próximo da loba caída. Eu também me aproximei e os outros vieram atrás de mim com passos cautelosos. Ela parecia desacordada, mas ainda sim estava viva, por mais quanto tempo eu não sei, mas estava.

“Quil, você consegue colocá-la em minhas costas, por favor?” falei, mas Jared foi mais rápido, e ele sem dúvidas era mais forte do que Quil para fazer aquilo. Isso exigiu a destransformação do garoto, e Lea, como de costume, virou o rosto enquanto Jared, com facilidade, colocou a linda loba nas minhas costas.

“Corra, Jake, leve-a para a caverna além da floresta, Conor deve saber o que fazer.” Leah pediu, desesperada. Eu corri o mais rápido que pude, eu já havia ido até Conor para fazer alguns reparos, ele era um antigo curandeiro da nossa tribo. Tinha remédio para quase tudo, foi ele quem ajudou Emily quando Sam a feriu.

A tarde estava indo embora quando eu me aproximei da entrada da caverna, uivei alto e no mesmo instante Conor apareceu, seus olhos se arregalaram ao ver a loba nas minhas costas.

-Entre, rápido, ela não tem muito tempo!-ele falou apontando para dentro da caverna. Uma fogueira já estava acesa quando eu entrei, depositei a loba num tapete de pele de animal que estava ao redor das chamas e me maravilhei quando transformação dela se desfez.

Ela era linda, sua pele morena clara, cabelos castanhos escuros que pareciam dourados perto da fogueira. Eu tentei não reparar no seu corpo, já que ela estava sem roupas, porém eu não pude deixar de notar sua esbelta silhueta, ela possuía um corpão!

Mesmo ferida, coberta de sangue, ela era linda! Me fazia lembrar Renesmee em alguns aspectos. Como a mordida feita no seu pescoço, era exatamente para matar, não para se alimentar, isso fez meu corpo estremecer, minha raiva por vampiro desconsiderou Renesmee por um momento, pois eu sentia vontade de matar todos eles!

Conor cobriu a menina, e então eu voltei a mim. Os outros não demoraram muito a chegar na caverna, mas todos já estavam vestidos, coisa que os lobisomens modernos como nós faziam sempre era trazer amarrado em seu pelo as roupas. Assim, em alguma emergência, estávamos sempre vestidos!

-Jake! Vá se trocar!- Leah falou, indo se ajoelhar ao lado da garota desacordada. Eu saí e notei que estava tudo escuro, então me lembrei do encontro com Renesmee! Droga! Eu não podia decepcionar Nessie, não agora. Mas também eu não podia simplesmente abandonar meu bando num momento como esse, Renesmee iria entender, ela tinha que entender.

Eu agora havia assumido as responsabilidades aqui em La Push, Sam havia casado, e o único alfa era eu. Minhas responsabilidades cresceram dentro da minha tribo e isso era importante pra mim. Não por orgulho besta, não, mas por ter que ajudar meus irmãos. Meu namoro com Renesmee era importante sim, mas as responsabilidades primeiro. Isso era fato, desde que eu fui para o Texas para aprimorar minhas habilidades como alfa com o bando de lá, eu percebi a real importância de ser um lobisomem.

Eu não era apenas um monstrinho das histórias de terror, eu era um guardião, tinha que proteger não só minha tribo, mas as pessoas ao meu redor. Então eu tinha que fazer alguns sacrifícios para ser o que eu era, já que eu não tinha escolha. Um ano e meio longe passou tão rápido que quando eu voltei era como se as coisas não tivessem mudado muito, só meus sentimentos, já que meu amor por Renesmee cresceu enquanto eu estava longe.

Antes era como se eu só sentisse afeto, um carinho fraternal por ela, mas depois, com ela crescida, algo ascendeu dentro de mim, uma fagulha de paixão misturada com carência fez o amor nascer. Antes era só como irmão, amigo, nenhum sentimento além, mas eu e todos sabíamos que isso iria acontecer, só que não tão rápido.

O que mais me assusta é o fato desse sentimento ter aparecido cedo de mais, deveria ter esperado mais um pouco, mas foi só ter uma conversa, um olhar e pimba! Ele me pegou. Acho que a ela também foi pega de surpresa.

Todas essas minhas reflexões me fizeram demorar dentro da floresta, tanto que Jared apareceu para saber se estava tudo bem. É, estava, eu acho. Nós dois entramos na caverna e eu percebi a tensão nos olhos de todos, Quil me falou que Conor havia retirado o veneno, mas que ele já havia feito bastante estrago, pelo tempo que esteve dentro do corpo da garota.

-Ela quase que não escapa e ainda estamos esperando.

Embry fez uma cara séria ao dizer a frase.

-Jovem lobo alfa, você agora irá ter que fazer algo pela garota. -Conor falou sombriamente, o que me surpreendeu.

-Sim? O que estiver ao meu alcance. –eu adiverti.

-Você terá que doar um pouco de vitalidade par a menina, para salva-la.

Doar vitalidade... Esse era um antigo ritual que, contam as lendas da tribo Quileute, os curandeiros usavam para restaurar a vida dos membros feridos da tribo. Mas pra mim era só lenda, isso estava ultrapassando as barreiras da lógica, da realidade. Que lenda mais seria real? Cada novidade deixava minha vida mais surreal, porém isso não me incomodava.

-Como faço isso?

Todos dentro da caverna olhavam curiosos para Conor, que pediu para que todos saíssem.

-No melhor do show!-Seth resmungou.

-Por que nós não podemos ficar?-Jared também chiou.

-Esse é um ritual que envolve a vida de duas pessoas e acima de tudo concentração. Vocês não querem ver seu amigo sem alma, morto?-a voz dele soava séria e obscura. Seu rosto ancião parecia ainda mais velho, sua pele marrom perto da fogueira parecia vermelha, seus olhos fundos e puxados estavam comprimidos e seu tom era de repreensão. -Saiam, ela não tem muito tempo!

Conor apontou para a garota que agora parecia mais pálida e estava respirando com mais dificuldade do que quando a encontrei. Em um segundo, todos haviam saído, e dentro da caverna restaram apenas nós três, Conor, eu e a garota lobo. Então o curandeiro pediu que eu me ajoelhasse ao lado da garota e que segurasse sua mão. Eu fiz como ele mandou, sentindo a mão um pouco fria da menina.

-Agora, preciso que feche seus olhos e pense em se transformar, invoque o espírito do lobo que há em você.
-Mas eu não posso me transformar aqui, agora!-eu disse olhando para seu rosto, que agora estava tranqüila. Com a mesma tranqüilidade ele me ordenou:
-Faça como lhe digo, confie em mim, isso não vai acontecer. Agora faça!
Eu fiz como o velho mandou, pensei como se estivesse prestes a me transformar, mas ouvindo ele murmurar algumas palavras na língua antiga dos Quileutes, e isso me surpreendeu, era raro alguém saber essa velha linguagem.
Mas algo estranho aconteceu, quando eu comecei a sentir os arrepios, o fogo subir por dentro, cheguei a pensar que ia explodir em um lobo gigante, mas isso não aconteceu. Em vez disso eu comecei a me sentir leve, minha mão começou a liberar algo que parecia um vento frio, passando para o corpo inerte da garota ao meu lado.
Eu tentei abrir meus olhos, mas não consegui, meu corpo não estava respondendo. Mas eu sentia o pulso da garota, o sangue circulando, o coração batendo, a respiração ficando forte...
-Bum!-bastou essa palavra para eu soltar a mão da menina como se tivesse recebido uma corrente elétrica que me fez cair ao lado dela, sem forças para levantar.
-Irado! Cara, eu pensei que você já era! Sua alma começou a vazar de seu corpo passando pra garota!-Embry estava excitadíssimo com a transfusão.
-Você está bem, Jake?-Leah quis saber chegando ao meu lado e me ajudando a ficar de pé. Eu me sentia estranho, como se faltasse alguma coisa em mim, um vazio percorreu meu estomago fazendo minha barriga roncar, eu estava fraco.
-Vocês não deviam ter visto a transfusão. Se algum de vocês tivesse sussurrado e quebrado a concentração do garoto, ele perderia sua alma, e a garota também!-Conor parecia bem irritado, mas com razão.
-Me explica aí como foi esse troço. Tipo, maneiro! O Jake colocou a mão na lobinha e ressuscitou ela ou foi uma troca de alma? Jacob, cara! É você mesmo?-Quil falou em tom de zombaria.
-Eu estou bem! Apenas com fome. -eu os assegurei, ouvindo minha barriga roncar novamente.
-Isso é normal. -Conor agora estava sentado ao redor da fogueira acendendo seu cachimbo.
-Jared, pode ir passando minha grana. -Embry disse estendendo a mão. Eu olhei pra eles confuso e Jared explicou tirando o dinheiro do bolso.
-Eu apostei que você não escapava. Droga de pessimismo. Me custou dez paus!-ele disse passando o dinheiro com desgosto para Embry.
-Ei, seus idiotas, ela está acordando!-Leah falou num sussurro e todos se viraram para ver a cena. Ela abriu os olhos, levantou a cabeça, depois se apoiou num dos braços e sentou-se, olhou em volta e parece que ficou tonta. Ele fraquejou e ia cair de cabeça se eu não a tivesse apanhado.
-Você esta bem?-eu perguntei reparando nos seus olhos cor de mel. Ela virou a cabeça e me olhou assustada.
-Onde eu estou?-sua voz era frágil, mas aveludada, tanto que a pergunta saiu como um suspiro.
-Nós te encontramos na floresta, você está na reserva Quileute de La Push. -Leah a informou amigavelmente.
-La Push? Em Forks?-ela parecia bem informada.
-Sim, de onde você é?-eu perguntei assim que a vi mais lúcida.
-Eu sou do Alaska, meu nome é Sarah, qual é o seu?-ela saiu dos meus braços e se sentou, parecia bem agora.
-Oi, Sarah! Sou Jacob e esses são...
-Você é o alfa?-ela perguntou depois que encheu seus pulmões de ar.
-Eh, sou... -eu disse meio sem graça.
-Bem, continue as apresentações!-ela pediu sorridente, seu sorriso me deixou encabulado.
-Eh... -eu gaguejei um pouco, ainda sem fôlego- Esses são Quil, Embry, Lea, Seth e Jared. -eu apontei para cada um deles enquanto falava.
-Oi! Muito prazer!-ela parecia alegre e sorridente, muito comunicativa.
Eu tinha várias perguntas pra fazer a ela, mas minha barriga roncou e a dela roncou mais alto ainda, fazendo todos rirem.
-Crianças, vocês devem ir, se alimentar. Jacob e Sarah, nenhum pode se transformar por dois dias contando apartir de hoje. Se isso ocorrer vocês terão que lidar com as conseqüências.
Conor ajudou Sarah a levantar e lhe levou até um lado obscuro da caverna onde ela colocou uma capa bem fina de lã. Os machucados já estavam cicatrizando, só o do pescoço que era saliente e destacável. Um grande círculo abaixo da sua orelha.
Ela nos acompanhou até a porta da caverna. Quando ela enfrentou o ar frio tremeu e o que não faltou foi camisas oferecidas a ela para que se esquentasse.
-Obrigada, rapazes, mas eu vou ficar com a de meu amigo Seth!-ela pegou a camiseta da mão do garoto e a vestiu, e seguimos a diante, eu olhei para o céu, já era madrugada, olhei e me lembrei de Renesmee. Será que ela havia me esperado?

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