sábado, 11 de setembro de 2010

Você vê o verdadeiro eu - Capítulo 3



Capítulo 3
- Pode entrar, eu vivo sozinho. Meus amigos estão sempre por aqui, mas hoje eles estão...viajando. – Jacob falou, abri a porta e a mobília me surpreendeu muito. Para um garoto, ele tinha um gosto muito bom! A decoração era rústica, toda de madeira. – Quer alguma coisa pra comer? Acho que não tomou café da manhã ainda...
- Obrigada. Quero um capucchino com leite desnatado, uma panqueca ou Waffles de chocolate e talvez uma fruta. Sua casa é muito bonita, você que decorou?  - Respondi, eu estava faminta, não tinha jantado e nem trouxe nada na minha bolsa para comer.
Jacob ficou com a cara espantada. Eu comia tanto assim?
- Estou com fome, não como nada desde ontem á tarde, o.k.? – Respondi, me defendendo. Ele deu de ombros e começou a fazer o capucchino, com certeza ele não sabia como fazer aquilo, mas tentou.
- Não é assim que se faz um capucchino, bobo. Deixa que eu faço. – Falei, rindo. Eu nunca me ofereci pra fazer alguma coisa. Nem quando eu era criança. O que havia de errado comigo?
Peguei dois copos e comecei a fazer meu capucchino. Jacob foi fazer as panquecas.
- Sabe, Nessie – ele fez um ênfase no Nessie – Gostei de conversar contigo. Você parecia muito perdida ali na floresta. Quer me contar alguma coisa? Sou um bom ouvinte. – Como ele....?
- Tá, eu conto.
O que havia de errado comigo caramba!? Eu nunca falava nada sobre a minha vida! NUNCA! Principalmente agora, para um quase estranho! Poxa vida o que eu tinha? Eu devia estar doente!
Contei tudo, desde a briga até quando decidi fugir. Tudinho.
- Caramba. – Jake disse, colocando meu capucchino na lava-louças. Aquilo era bem moderno.
- É, eu sou assim, problemática. Desde pequena. A minha mãe ás vezes chora por causa da garota que você está vendo. A problemática e esquisita Renesmee...
- Não...não diga nada disso. Você não é problemática...você nem sabe o que é ser problemático! – De repente, Jacob agarrou o meu braço, eu pensei que tudo estava perdido. Eu iria morrer, é claro. Como pude ser tão...idiota? Como pude cair nessa de ‘’vamos para minha casa que eu te arranho um lugar para ficar’’?
Olhava para ele de forma assustada, com medo. O aperto em meu braço foi ficando cada vez mais leve...leve...e leve. Quando ele finalmente me largou, corri para a sala de estar, onde estavam minhas coisas. Agarrei minha bolsa e corri para a porta, tentando fugir dali. Poxa, eu já tinha escapado da morte quantas vezes? Eu devia receber um prêmio!
Ouvi ele gritar meu nome, mas...nada mais me importava. Ele com certeza conseguira me enganar, contando mentiras. E com certeza, Jacob não era seu verdadeiro nome.
Corri para a floresta, o que pareceu uma eternidade, cada vez eu ficava mais cansada e ele chegava cada vez mais perto.
Até que uma maldita árvore apareceu. Do nada. E eu bati com tudo nela.
A última coisa que eu me lembro é de cair e minha bolsa espatifar no chão, jogando tudo o que tinha dentro dela pra fora. Que ótimo, além de me matar ele poderia me roubar.

Acordei em um sofá verde. Espere...eu já vi esse sofá antes! E essa cozinha...ai não! Estava novamente na casa do tal Jacob. Tentei levantar, mas uma das minhas pernas estava com um gesso enorme. Agora eu não poderia fugir daquele...do Jacob. De todos.
- Parece que já acordou. Se sente melhor? A pancada foi grande, fiquei com pena da árvore. – Jacob disse, rindo. Ele não poderia me matar de uma vez não?
- Por que me agarrou? Por que quer me matar? Eu não fiz nada! – Berrei, enquanto tentava levantar. Mas alguma coisa me impediu. Eu fiquei cansada, com sono. Droga! Ele havia me dado algum tipo de droga...
Ele somente...riu.
- Eu não vou te matar, Srta.Cullen. Ops, Nessie. Eu só quero ajudar...juro. Aquilo...eu...me descontrolei! Por que eu sempre faço isso? – A raiva havia voltado para seu lindo...lindo? Não...a raiva havia voltado para sua face, as sombrancelhas arqueadas, quase juntas.
- Como é que eu vou saber? Você me agarrou! Aposto que seu nome nem é Jacob! E seus amigos...aposto que nem estão viajando! É tudo mentira! E agora não consigo fugir com essa porcaria de gesso! – Exclamei, tirando seus braços musculosos de perto de mim. Não podia deixar que ele vencesse. Não mesmo.
- Desculpe! Por favor, me desculpe! Sim, o meu nome é Jacob Black, quer ver a identidade? Meus amigos estão no que se pode falar de viagem sim. Te levei no hospital enquanto você estava desmaiada e te deram algum tipo de...ah, como é o nome? É algum tipo de remédio que faz você apagar...
- Anestesia geral?
- Isso! Ah, Nessie, me desculpe! O médico falou que era pra você descansar. Tentei fazer seu capucchino, mas...aquilo é muito difícil de fazer! Você não tem ideia! – Consegui rir com o último comentário dele. Mas...espera! Que médico?
- Jake. Qual era o nome do médico? – Perguntei, desesperada por uma resposta.
- Ah...acho que era Lopez alguma coisa. Não memorizo nomes. – Dei um suspiro de agradecimento pelo médico não ser o Dr. Carlisle, meu avô. Cruzei os dedos para que ele não tivesse me visto. – Por que?
- Nada.
- Quer alguma coisa? Fugir? – Perguntou, rindo. Aquilo já estava me irritando. Joguei uma almofada nele, e ele jogou uma de volta, mas a minha cabeça começou a girar..girar..e girar. E eu, de novo, desmaiei. Pelo menos agora eu não havia batido em nada duro.

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